O Homoerotismo de Ali Franco contra a Homofobia!

O Homoerotismo de Ali Franco contra a Homofobia!

14/10/2018 471 Por Vomite.me

O homoerotismo

A homossexualidade transpassa o tempo desde o período grego antigo, inclusive, neste mesmo período surgiram intervenções artísticas de impacto tendo como tema central o homossexualismo. Até mesmo hoje, em épocas de censura, o homoerotismo esteve presente nas mais diversas manifestações literárias e artísticas, assim como nas artes visuais como fotografia e pintura.

Em uma perspectiva artística brasileira o homoerotismo ainda não demarcou seu merecido território na crítica e na teoria. Entretanto, percebe-se que com o aumento das militâncias LGBTI do século XXI, os discursos tem garantido mais subsídio para o desenvolvimento do homoerotismo dentro da arte e, principalmente, para o pensamento crítico a respeito dela.

Diversos autores de renome nacional desenvolvem este debate em suas obras, tais como: Raul Pompéia (1885), Machado de Assis (1906) e Caio Fernando de Abreu (1982). Na escola estes autores são vistos como pertencentes a uma escola literária e os aspectos homoeróticos muitas vezes são ignorados, a crítica fez questão de desperceber estas obras e o conteúdo que elas trazem.

O simples fato de não sabermos basicamente nada sobre a arte homoerótica traduz um preconceito que atravessa mais do que gerações, atravessa eras! Hoje, diante de uma situação alarmante para a comunidade LGBTI e para todos os direitos humanos também, o Brasil está situado no centro deste conflito.

Aqui, no portal Vomite.me acreditamos que a arte pode alterar percepções e somente ela constrói pontes que são capazes de interligar lados opostos e contrários. A arte transforma.

Para tanto, como início da nossa sequência de posts contra a homofobia, trazemos o testemunho e as obras de Ali Franco e seu homoerotismo contestador.

Ali Franco

Ali Franco nasceu na Ucrânia e desde adolescente é pintor. Atualmente mora em Portugal e essa mudança de ares foi totalmente ligada ao preconceito que sua arte sofreu em seu país natal.

Em entrevista concedida ao portal Dezanove, Ali contou brevemente como foi enfrentar um país conservador pós URSS:

 

“Depois do fim da URSS a Ucrânia tornou-se muito religiosa. Uma mudança levou à outra, e ainda se nota uma grande influência da mentalidade russa. A maioria dos gays vive de forma escondida. Lá nenhum dos meus amigos é assumido publicamente. Por causa disso muitos deles acabaram por emigrar: EUA, Inglaterra, Itália, Bulgária e também Portugal. Foi um amigo que me ajudou a vir para cá. A Ucrânia quer fazer parte da União Europeia, mas primeiro têm de mudar a mentalidade no que respeita à vida das pessoas e à religião. Ainda há muito por fazer no campo da educação.”

Quando é questionado sobre como sua arte era aceita em seu próprio pais, Ali diz “Não o podia fazer no meu próprio país, a minha sociedade é muito severa e mesmo homofóbica” e justifica: “A maioria das galerias vendem para ‘famílias’ e não quer expor nada que seja considerado provocatório”.

Ali Franco

As obras completas de Ali Franco você pode conferir em nossa galeria de arte.