“Mulheres”

O telefone tocou naquela noite. Era Mercedes. Tinha conhecido ela numa leitura de poesia em Venice Beach. Ela tinha uns 28 anos, corpo interessante, ótimas pernas. Loira, de um metro e sessenta e poucos, olhos azuis. O cabelo era longo e ligeiramente ondulado. Fumava o tempo todo. Sua conversa era chata, seu sorriso estridente e falso quase sempre.
Tinha ido para a casa dela depois da leitura. Ela morava em frente ao deque, num apartamento. Toquei piano, ela bongô. Apresentou um garrafão de Montanha Vermelha. E uns cigarros. Fiquei muito bêbado para ir embora. Dormi lá, me mandei de manhã.

– Olha – disse Mercedes -, eu trabalho perto da sua casa agora. Quem sabe eu poderia dar uma passada aí pra ver você.

– Tudo bem.

Desliguei. O telefone tocou de novo. Era Tammie. – Escuta, resolvi mudar daí. Volto daqui a dois dias. Busca o vestido amarelo no apartamento, aquele que você gosta, e os sapatos verdes. O resto é merda. Pode deixar lá.

– Ok.

– Tô completamente dura. Nem pra comida a gente tem dinheiro.

– Mando 40 paus pelo telex, amanhã de manhã.

– Você é um doce…

Desliguei. Quinze minutos depois Mercedes apareceu. Vestia minissaia bem curta, sandálias e uma blusa barriga de fora. E brinquinhos azuis.

– Quer maconha? – perguntou.

– Claro.

Ela tirou o fumo e as sedas da bolsa e começou a enrolar uns baseados. Abri uma cerveja e ficamos no sofá, fumando e bebendo.

Não falamos muito. Fiquei bolinando as pernas dela. Bebemos e fumamos por um bom tempo.

Por fim, tiramos a roupa e fomos pra cama. Primeiro Mercedes, depois eu. Nos beijamos. Fiquei sassaricando aquela buceta. Ela pegou no meu pau. Montei nela. Ela mesma meteu meu pau lá dentro. Era bem apertadinha. Fiquei brincando um pouco. Colocava e tirava, colocava e tirava, só a cabeça. Daí, devagarinho, enfiei até o cabo. Sem pressa. Meti com força umas quatro ou cinco vezes. Ela gemia, com a cabeça apoiada no travesseiro. “Ãããiiii…” Maneirei e fiquei só bimbando de leve.

Noite abafada, os dois suando muito. Mercedes estava doida de cerveja e maconha. Resolvi que o final seria esplendoroso, ia mostrar-lhe umas coisinhas.

Continuei chacoalhando. Mais cinco minutos. Mais dez. Não conseguia gozar. Comecei a fraquejar. Fiquei mole.

Mercedes não gostou:

– Continua! – pediu. – Ah, continua, baby!

Não deu mesmo. Rolei pro lado.

O calor estava insuportável. Enxuguei o suor com o lençol. Podia ouvir meu coração bombando. Soava triste. No que Mercedes estava pensando?

A vida me fugiu, meu pau murchava.

Mercedes virou seu rosto para mim. Beijei-a. Beijar é mais íntimo que trepar. Por isso eu odiava saber que as minhas mulheres andavam beijando outros homens. Preferia que só trepassem com eles.

Continuei beijando Mercedes. E já que beijar era tão importante para mim, tesei de novo. Montei nela, sôfrego, aos beijos, como se vivesse minha última hora na terra.

Meu pau deslizou dentro dela.

Agora eu sabia que ia dar certo. O milagre seria refeito.

Ia gozar na buceta daquela cadela. Ia inundá-la com meu sumo e nada que ela fizesse poderia me deter.

Era minha. Eu era um exército conquistador, um estuprador, o senhor dela. Eu era a morte.

Ela estava indefesa. Sacudia a cabeça, me agarrava, arfava, gemia… –

Ah, hum, han, uuuuuaaauuu, ãiiiiiii… ôôôôô… ahrrr…

Meu pau gramava.

Dei um urro estranho e gozei.

Dali cinco minutos ela roncava e eu também.

– Trecho do Livro “Mulheres” – Charles Bukowski